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PRESIDENTE E RELATORA DE CPMI DAS FAKE NEWS DENUNCIAM AÇÃO DE ‘TROPA DE CHOQUE’


 O senador Angelo Coronel (PSD), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o uso de Fake News nas eleições de 2018, revelou que os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carla Zambeli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), que classifica como “tropa de choque do PSL”, foram incluídos pela legenda na comissão. Todos os três parlamentares já manifestaram publicamente suas opiniões contra a existência da CPMI que passarão a integrar.

“O PSL está colocando a tropa de choque deles na CPMI. Vai entrar Carla Zambelli, Bia Kicis e Eduardo Bolsonaro. Na comissão os partidos podem manter os nomes que já estão ou substituir até na véspera da votação do relatório, efetivo mesmo é só o presidente o relator”, explicou Coronel.

Os deputados devem substituir a ex-bolsonarista Joice Hasselmann (PSL-SP) e o deputado federal Nereu Crispim (PSL/RS). Uma das vagas deverá ser de suplência.

A deputada federal e relatora da CPMI das Fake News, Lídice da Mata (PSB), lembra que os novos indicados são velhos conhecidos da comissão. “Olha, Bia Kicis já era membro efetivo, o que aconteceu foi que com a briga interna do PSL, mudaram-se os membros. Essa turma que está de volta é a turma que começou, é a tropa de choque mesmo”.

Resistência

Apesar de reconhecer que os novos quadros atuarão para inviabilizar os trabalhos da comissão, a relatora da CPMI sinaliza que eles não terão vida fácil e que sofrerão resistência.

“Não temos medo, eles que venham; nós vamos enfrentá-los, e quando digo nós, falo daqueles que pretendem fazer essa investigação continuar. Esses deputados disseram que não havia necessidade da comissão, que não havia fake news no Brasil. Essa prática nefasta, que foi reconhecida pelos próprios proprietários das redes sociais e aplicativos de mensageria”, destacou Lídice.

Lídice sinaliza que os novos membros da comissão chegam carimbados como autores de projetos contra redes sociais, por excluírem pessoas que infringiram regras de uso. “Esses mesmo deputados são autores de projetos que buscam punir plataformas que decidem retirar pessoas por violar termos de uso. Defendem tanto o poder privado, a liberdade do mercado e agora querem censurar as redes por punir os infratores”.

O ato de rotina esconde uma estratégia para inviabilizar os trabalhos na comissão. Eduardo Bolsonaro chegou a entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), em 2020, contra à prorrogação dos trabalhos da CPMI das Fake News, que investiga um esquema criminoso de produção de notícias falsas e de disparos em massa já comprovadamente utilizados no pleito de 2018, e que poderá respingar em pessoas ligadas ao chamado gabinete do ódio do Palácio do Planalto, ao qual os filhos do presidente da República, junto com outros assessores, já admitiram à imprensa fazerem parte.

A comissão segue sem data de retorno, mas o senador do PSD promete no final do mês ir à Brasília e se reunir com o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para cobrar o retorno das comissões não permanentes.

“O presidente Rodrigo Pacheco se comprometeu em instalar as comissões permanentes, semi-presencial, a partir do pós-carnaval, no dia 23; mas as temporárias, que é o caso da CPMI das fake News, ele ainda não estabeleceu uma data. Espero encontrá-lo no final do mês, em Brasília, para definirmos esse calendário e retomarmos os trabalhos”, explicou o presidente da CPMI das Fake News.

Lídice sinaliza que o escopo da CPMI desagrada políticos de esquerda e de direita. “A questão das fake atinge o mundo político de modo especial, alcança políticos de todos os lados. Há muita gente interessada em inviabilizar essa investigação, pelos efeitos deletérios que ele próprio pode viver. A Fake News se põe em um lugar específico da política que não escolhe lado para acontecer”, sinalizou da Mata.

Realinhamento

As indicações dos políticos ocorrem após o realinhamento do PSL à base do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), tendo, inclusive, apoiado os candidatos de Bolsonaro nas eleições para presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

O senador baiano não acredita que a ascensão de aliados do Palácio do Planalto no comando das Casas que formam o Congresso Nacional poderá afetar os trabalhos da CPMI, que classifica como “suprapartidária”.

“Eu não acredito muito que ela será minada, já que a CPMI é suprapartidária; então, quem manda é a maioria. Eles só vão ter condições de minar a CPMI se no plenário da comissão tiver mais parlamentares ligados ao governo; aí eles podem tocar, mudar, aprovar ou rejeitar alguns requerimentos de oitiva ou de quebra de sigilo. Então, quem manda na CPMI não é a presidência, quem manda na CPMI é o voto do plenário. Então, vamos aguardar o desenrolar dos fatos a partir do próximo mês para que os trabalhos continuem e que a gente livre o povo brasileiro deste mal do século são as fake News”, destacou Angelo Coronel.

Lídice da Mata cobra do presidente do Senado e da Câmara um compromisso com a verdade, “indo ao encontro do que a sociedade brasileira espera”, que é “o combate às fake news”, que, inclusive, está “afetando a campanha de vacinação no país”, por conta de um processo de desinformação empreendido em torno dos imunizantes.

“Nós queremos que eles abram uma discussão sobre como viabilizar o retorno, e se é possível fazer remotamente, agora que a câmara acabou de aprovar o funcionamento remoto de suas comissões. No caso da CPMI, temos que discutir um formato, um regimento que permita isso”, cobrou Lídice.

A parlamentar do PSB admite que para se fazer um “inquérito, investigação, obter um depoimento de uma pessoa de forma remota é difícil”, mas ressalta que “é preciso ter alguns elementos que possam permitir que isso aconteça''.


FONTE: A TARDE

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